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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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As cidades fantasma e as cidades invisíveis

Mäyjo, 07.12.13

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imagem: Plataforma Urbana

 

À primeira vista, a foto acima parece ter sido tirada em Paris. Mas um olhar mais atento nota que há algo estranho na paisagem da capital francesa. De outros ângulos, fica ainda mais claro que essa não é a Cidade Luz.

 

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imagem: Plataforma Urbana

 

Essas imagens são de Tianducheng, uma réplica de Paris construída em 2006 na província chinesa de Zheijiang, que tem uma Torre Eiffel e um Arco do Triunfo próprios. Tianducheng foi concebida para uma população de aproximadamente 10 mil habitantes, mas não conseguiu atrair mais de 2 mil. Hoje é uma cidade fantasma sem lastro cultural, com escassa atividade econômica e prédios vazios por serem inacessíveis financeiramente a grande parte de seus moradores – ao lado de habitações informais.

paris 4

imagem: Plataforma Urbana

 

Essa é apenas uma das muitas cidades fantasma que foram construídas no mundo sem terem tido a capacidade de atrair moradores.

Mas por que essas cidades não deram certo?

O urbanista e sociólogo Henry Lefebvre enunciou o que deveria ser a regra de ouro do planejamento urbano: as funções determinam as formas, que determinam as estruturas. Nas cidades medievais, por exemplo, a função de proteção da terra criou estruturas muradas ao longo das manchas urbanas. Já nas cidades mercantilistas, as pequenas vielas desembocavam em largos estruturados para atender à função dos mercados de rua.

O que ocorreu após a Revolução Industrial foi uma aceleração do crescimento econômico em uma escala monstruosa, e o vetor de Lefebvre foi invertido. Em vez de as estruturas estarem a serviço das funções das pessoas, as pessoas passaram a ficar a serviço de estruturas. Estruturas de trabalho e de gestão política e das próprias cidades. Para manter o crescimento econômico industrial, projetos de hardware (ou seja, infraestrutura) foram criados sem pensar nos softwares (usos possíveis dessa infraestrutura).

O que acontece é que junto com as cidades fantasma, o mundo tem uma porção de cidades informais, invisíveis.

 

Compare por exemplo, a imagem que o Google Maps mostra da favela de Kibera, uma das maiores do mundo, em Nairóbi, no Quênia:

 

Captura de Tela 2013-10-30 às 10.35.32

 

Com a imagem de satélite da mesma região:

Captura de Tela 2013-10-30 às 10.35.42

 

Essas cidades invisíveis criam margens periféricas à formalidade. Em geral não são contempladas nem pela economia nem pelo poder público formais – portanto criam os seus próprios. E, talvez o maior importante, são as áreas que mais crescem nas ondas de urbanização mundiais, de acordo com Mike Davis, autor de Planeta Favela.

O inchaço das cidades invisíveis quando há uma porção de cidades fantasma pelo mundo mostra a urgente adaptação do planejamento urbano para uma disciplina mais focada em processos e menos focada em estruturas – a exemplo do que tenta fazer o Department Planing Unit da University College of London. Mas uma das iniciativas mais interessantes que tenta contemplar as cidades invisíveis está fora da academia. O Slum Dwellers International está tentando mapear manchas urbanas informais pelo mundo, criar programas de gestão informais dessas cidades e plataformas de trocas de informações e experiências entre favelas. Em outras palavras: eles estão construindo um mapa-mundi em negativo, que joga luz e esses emaranhados urbanos que não enxergamos, porque estão invisíveis à formalidade. De acordo com o SDI, pode ser que as cidades invisíveis até o final do século 21 acumulem a maioria das pessoas do mundo. Para Davis, a mão de obra mundial já é majoritariamente informal. “Se o dinheiro que circula pelo planeta fosse lastreado no trabalho das pessoas, o ranking das economias seria invertido”, diz Davis.

É urgente a reinversão do vetor de Lefebvre à ordem direta. Em vez de formatar pessoas que caibam nas estruturas das cidades, precisamos recuperar a habilidade de planejar cidades que contemplem a diversidade das pessoas.

 

(as imagens de Tianducheng foram extraídas dessa reportagem publicada em Plataforma Urbana)

 

in: Super Interessante

COP19: 2013 está a ser o sétimo ano mais quente desde 1850

Mäyjo, 07.12.13

COP19: 2013 está a ser o sétimo ano mais quente desde 1850

 

2013 está a ser o sétimo ano mais quente desde que se começou a monitorizar a temperatura média anual do planeta, em 1850. Este ano também tem sido propício a eventos climáticos extremos, como o furacão Haiyan, que atingiu recentemente as Filipinas, potenciados pela subida do nível da água do mar.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência de meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU), os primeiros nove meses de 2013 coincidem com os de 2003, com temperaturas médias, tanto na superfície terrestre como oceânica, 0,48 graus Celsius acima da média anual registada entre 1961-1990.

“Este ano contribui uma vez mais para sublinhar a tendência a longo prazo” face às temperaturas mais elevadas causadas pelo aquecimento global, afirmou o secretário-geral da OMM, Michael Jarraud, durante a Conferência sobre as Alterações Climáticas da ONU,COP19, que decorre em Varsóvia. “A acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera, potenciada pela actividade humana, significa um futuro mais quente que é agora inevitável”, acrescentou o responsável, cita o The Guardian.

O resultado ainda é provisório, mas a OMM indica que é provável que este ano termine entre os dez mais quentes desde 1850.

Em Setembro, o painel intergovernamental da ONU para as alterações climáticas reviu em alta a probabilidade de a espécie humana ser a principal causa do aquecimento desde 1950 para 95%, dos anteriores 90% estimados em 2007. Os efeitos previstos incluem mais ondas de calor, aumento do nível dos oceanos e aumento da pluviosidade.

Desde que a temperatura da Terra começou a ser monitorizada, 2010 foi ano mais quente, segundo a OMM.

 

Foto: Steve Bolton, sob licença Creative Commons


in: Green Savers